O que nos faz do mal?
Sermos diferentes daqueles que todos julgam como bom? Que admiram? Reagindo de forma variada para situações difíceis? Nos vestindo diferente?
Amar a pessoa que foi destinada a outra?
Ali estava eu, parada no mesmo penhasco em que minha irmã gêmea se jogou. Onde o Cisne Branco se suicidou. E era onde eu pensava na vida. Talvez o lugar para terminá-la.
Todos da floresta me julgavam pela morte da Cisne Branco. Só porque ela se matou após me vê com seu príncipe encantado e ele se declarar para mim.
Eu tinha culpa em mim. Tanto remorso quanto dor. Me fiz diferente de minha irmã e todos me julgavam. Mas, os bons podem julgar? Eles não deveriam me acolher e escutar meu ponto de vista?
Eles apenas olharam para minhas penas negras, sem se importar que meus sentimentos fossem puros. Sem perguntar se eu poderia amar.
Eu amava minha irmã, mesmo não demonstrando. Ela era minha única família e a única que acreditava que eu poderia ser boa. Era ela quem via uma luz em mim.
Quando fui ao baile em seu lugar , minha intenção era de dizer ao príncipe que minha irmã era apaixonada por ele. Mas, quando ele nos confundiu e me pediu uma dança, foi como se eu pudesse ver uma luz. Uma chance.
Por um momento, jurei ter visto um brilho de reconhecimento em seus olhos. Ele sabia que eu não era a Cisne Branco. Apenas não me repeliu. Ele me viu além da fachada do Cisne Negro.
Sua declaração de amor para mim me deixou perplexa. Se ele realmente não nos confundisse, ele estava se declarando para mim, certo? Para o Cisne Negro.
A alegria da declaração só durou até a notícia do suicídio da Cisne Branco se espalhar. O príncipe me acusou de tê-lo enganado. Todos que moravam na floresta me desprezavam.
Mas, o que mais me atingiu foi o sentimento de desolação. Saber que minha irmã tinha morrido pensando que eu era uma traidora.
Talvez eu tivesse a chance de falar com ela. o vento do penhasco tocou-me com leveza e eu pulei, com um sorriso no rosto. Me sentis livre e estava voando.
Logo poderia pedir perdão por amar aquele que lhe era destinado. Aquele que a libertaria dessa maldição.
