quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Back To December





Aquela seria a conversa mais tensa de toda a minha vida. Meu ex-namorado do tempo da escola estava sentado na mesma mesa que eu, me encarando. Quando a campainha tocou a 5 minutos atrás, a última pessoa que esperava passar pela porta era ele. Se passaram tantos anos. 2, 3 anos. A quem eu queria enganar? Sabia os dias, as horas, os meses e os anos que se passaram depois daquele dia.

Só não esperava o encontrar depois de tanto tempo.

Mesmo não demonstrando, estava feliz por ele ter tirado um tempo para me ver. Sua expressão não era a das melhores. Estava tenso, as mãos cruzadas na frente do rosto e os lábios franzidos. Eu não ficava muito atrás. Tinha um motivo para ele estar ali e no fundo sabia que não iria gostar nada.

“Se você me olhasse, eu poderia começar a falar”, ele disse chamando minha atenção. Obedeci-o e assenti. Senti uma leve pontada no peito por encará-lo. Tanto tempo e ele ainda era o mesmo. “Como você tem andado?”

"Bem,”, respondi, confusa. Mas feliz por tocarmos em um assunto tão neutro. “E você? Como está sua vida?”, me empolguei e sorri. “Me conte de sua família. Não os vejo faz um tempo.”

“Eles estão bem”, ele disse destacando cada palavra com cuidado.

Parecia presunçoso em falar comigo. Ou melhor, sua guarda estava em pé e eu sabia o porque. Na última vez que ele tinha me visto, ainda trazia tristeza ao meu coração e não era as melhores lembranças. Me levantei, um pouco incomodada com seu olhar.

“Minha irmã está namorando.”, ele disse de repente. As palavras saíam arrastadas de sua boca, como se ele tivesse medo de pronunciá-las. Encarei-o com os olhos arregalados. Ele soltou um riso forçado. “Aprendi que, quando se ama alguma coisa, tem que deixá-la livre, se não ela te abandona.”, me deu um olhar significativo.

“Então, está trabalhando com o quê?”, desconversei.

“Sou arquiteto”, ele murmurou batendo o dedo na mesa. “E você?”

“Atriz”

“Serve para você.”, seu olhar foi de cauteloso para raivoso em uma palavra minha. “Esqueci que você tem o dom de brincar com as emoções. Sejam suas ou de outra pessoa.”

Virei de costas e comecei a passar a mão pelo vaso de flores. Nele, habitavam rosas já mortas, mas que eu nunca tive coragem de jogar fora. Ele arfou ao vê-las e fungou.

“Não sabia que você ainda as guardava.”, ele disse surpreso.

“Eu guardo muita coisa que você não sabe.”, mexi no porta retrato antigo. Escutei-o levantar e tirou a foto da minha mão. Na foto, estava eu e ele, no começo no namoro. Aquilo deveria ter uns 5 anos, pelo menos. Nós sorríamos, felizes.

“Foi a primeira vez que eu disse que te amava.”, ele lembrou. “E você não disse nada em resposta.”, hesitou. Senti seu olhar queimando na minha noca. “Você me amava?”

“Sabe está ficando frio e tarde.”, disse tomando a foto de sua mão e passando o dedo por ela. “Então, me diga logo o que você quer”

“Eu vou me casar”

Assim. Sem mais, nem menos. Ainda de costas, fechei meus olhos e fiquei tensa. Com força exagerada, bati com o porta retrato no lugar. A pontada em meu peito, só fez aumentar, se tornando um tipo de buraco. Tentei engolir o bile, mas parecia que algo estava fechando minha garganta.

“Resolvi te convidar de última hora.”, ele continuou vendo que eu não falaria nada. “Já que nossas mães são amigas...”

“Com quem?”, o cortei com um sussurro.

Algo deslizou pela mesa até mim. Outra foto, só que de uma mulher. Fiquei um tempo a olhando, vendo seu sorriso de vitória, então me virei para entregar a foto. Ele estava tão perto de mim que nem precisei esticar o braço para entregar a foto. Continuou olhando para o meu rosto, com uma careta. Talvez, toda vez que me olhasse, lembrasse daquela horrível noite em que lhe disse Adeus.

E me arrependia amargamente todo dia. Percebi que o amava naquele mesmo outono. Depois, vieram os dias escuros e o medo tomava conta da minha mente. Me encolhia toda vez que lembrava que ele tinha me dado seu amor e eu o dei um adeus. Uma decepção. E eu volto a dezembro daquele ano, toda hora.

“Você tem dormido esses dias?”, ele sussurrou tocando abaixo dos meus olhos com a ponta dos dedos.

“Não”, desviei meu rosto de sua mão e caminhei até a porta. “Não consigo dormir a essa época do ano.”, o aniversário de término. “Se você já falou tudo o que queria...”, abri a porta mostrando onde minhas palavras chegariam.

Ele caminhou até a porta sem dizer uma palavra, mas quando tentei fechar a porta, seu pé ficou no vão, me impedindo. Um flash do dia em que terminamos voltou a minha mente. Balancei a cabeça, afastando-a. Essa era uma das muitas coisas que me arrependia. De tentar esquecê-lo quando já estava tão tatuado dentro de mim. Nem no seu aniversário eu tinha ligado.

O que mais eu poderia fazer agora? Ficar de joelhos, engolir o orgulho na frente dele e dizer que sentia muito por aquela noite? Que a liberdade não era nada se sentia sua falta e que deveria ter percebido aquilo quando ele ainda era meu?

Que as lembranças de dezembro voltavam toda hora.

Mas ali, o vendo depois de tanto tempo, vi que falaria bem mais. Que sentia falta da sua pele bronzeada, do seu sorriso doce. Tão bons para mim, tão certos. Lembrava da noite de Setembro que me acolheu em seus braços, a primeira vez em que me viu chorar. Talvez isso seja pensamento positivo. Provavelmente um sonho bobo, mas se eu pudesse amá-lo de novo, amaria direito. Era o que eu queria dizer. Só que o que saiu foi:

“Perdeu algo aqui?”

“A mulher que eu amo”, ele respondeu prontamente. Minhas mãos, antes firmes segurando a porta, amoleceram, e ele empurrou a porta sem trabalho. “Eu volto a dezembro, dou meia volta e fica tudo bem. Ás vezes mudo de ideia. Mas, eu volto a dezembro toda hora.”, dei um passo para trás, assustada com seus (e meus) sentimentos reacendidos. “Diga que me ama”, ele parou e balançou a cabeça. “Diga que me amou,”, estava mais convicto. “E eu desisto dessa loucura agora”

Abri a boca para dizer tudo o que estava engasgado a 3 anos na minha garganta. Então, algo caiu do seu bolso quando foi se ajoelhar ao lado do meu corpo encolhido. Olhei para o cão e vi, novamente, a foto de sua noiva. Percebi que agora, as palavras que sairiam da minha boca, definiriam não só o meu futuro e o dele, mas de outra pessoa. Eu tinha perdido a minha chance e não poderia fazer nada para mudar, além de me desculpar.

“Se eu pudesse voltaria no tempo, mudaria tudo, mas não posso”, eu disse pegando em sua mão. “Se sua porta estiver fechada, eu entendo.”, desviei meus olhos dos seus e deixei meu rosto branco. “Podemos ser amigos”

“O que você está dizendo?”, ele ficou estático.

“Estou dizendo”, minhas palavras eram rudes. “que te vejo no casamento.”, me levantei e gesticulei para a porta.

Ele ficou me olhando como se eu fosse maluca por um tempo, até que se levantou e caminhou calmamente até a porta, mesmo vendo seu corpo tenso. Antes de sair, ele se inclinou na minha direção e deu um beijo em minha testa. Fechei os olhos, aproveitado o possível último contato de seus lábios com minha pele. Ele se afastou e foi embora. Dolorosamente, fechei a porta e escorreguei até o chão.

O buraco em meu peito cresceu e se esticou até meu coração, causando torpor ao meu corpo. As palavras, antes presas em minha garganta saíam em forma de lamentação e engasgo. As lágrimas desciam por meu rosto e simples palavras fluíam de minha boca. Palavras que poderiam ter mudado minha vida.

“Eu ainda te amo.”

Fale Agora





A igreja estava cheia. Minha melhor amiga estava ao meu lado tentando me passar confiança. Do outro lado, minha irmã estava furiosa por conta da minha reação aquela situação bizarra.

Não iria ser hipócrita e dizer que estava normal. Eu estava em choque. Com raiva, também, mas principalmente em choque. Não esperava receber o convite para aquele casamento. Me imaginava ajudando a escolhê-los com uma aliança no dedo.

Por dentro, eu estava calmíssima. Meu coração não iria explodir (Oh, não). Quando recebi o convite, não chorei a noite inteira (Que nada). E nem gritei da janela que ainda o amava, mesmo que estivesse cometendo o maior erro de sua vida.

Estava controladíssima. Tão controlada que tinha sido praticamente arrastada até aquela igreja. Mas, uma coisa que eu me recusava a fazer, era interromper o casamento. Ele tinha feito a sua escolha. Ela, sua atual noiva, e não a mim, sua antiga namorada do colégio.

Eu ainda me sentia um pouco burra por ter acreditado em suas promessas. Que, mesmo na distância, ele me amaria. E que poderiam se passar 10, 20 até 30 anos. Ele nunca me esqueceria. E lá estava eu, no seu casamento. Com outra.

Então, se sentia tanta dor, raiva e recendimento em relação a ele, por que tudo pareceu tão banal quando nossos olhares se cruzaram?

Ele ainda era o mesmo. Alguns anos mais velho, mas o mesmo bobo apaixonante. Tantas coisas que eu tentei dizer em um único olhar. Tantas coisas que queria que me dissesse. Mas tudo isso, esse curto e maravilhoso momento, foi cortado quando a marcha nupcial começou.

Desviar meus olhos do dele foi doloroso. Porém, nem tanto quanto ver a noiva deslizando pela igreja em direção ao altar. Em direção a ele. Era impressão minha ou a marcha nupcial estava soando como uma marcha fúnebre?

A noiva sorria para todos, amigavelmente. Sabia que todos estavam ali para ver algo especial. Só não sabia se era o casamento se concretizando ou eu o interrompendo.

Conforme a cerimônia se seguia, senti vários olhares em mim. É claro que além de mim, do noivo, da minha amiga e minha irmã, tinha outras pessoas que sabiam de nossa história mal resolvida. Seus amigos, por exemplo. Sua família também. Todos esperando uma reação de mim.

A intensidade desses olhares aumentou quando o padre disse as decisivas palavras: Se tem alguém aqui presente que seja contra esse casamento, fale agora ou cale-se para sempre.

Um silêncio súbito atingiu a igreja enquanto eu me encolhia e fechava meus olhos. A dor aumentando contra meu peito, me fez gemer baixo, chamando toda atenção para mim. Um breve filme passou por minha mente. Nossas alegrias, nossas esperanças, nossos sonhos. Tudo jogado para alto por conta do destino. Eu ainda conseguia escutá-lo dizer que me amava.

Não sabia se tinha sido isso (as lembranças) ou se finalmente ele tinha me feito endoidar de vez, mas quando dei por mim, estava com minha mão levantada. Escutei um par de arfares e um par de suspiros aliviados , ao meu lado.

Pensei em abaixar minha mão, dizer ao padre que tinha sido um equívoco da minha parte e para continuar a cerimônia. Talvez meu antigo amor fosse feliz com sua noiva. Pensei em assistir em silêncio minha ruína. Pensei até em levantar e ir embora da igreja. Mas uma coisa me fez continuar.

Seu sorriso.

Era como se o tempo tivesse parado. Melhor, era como se o tempo tivesse parado e voltado. Era só olhar em seus olhos que eu conseguia enxergar a época em que éramos felizes juntos. Era só olhar em seus olhos para perceber que eu, mesmo que negasse, ainda o amava.

Por isso eu levantei e caminhei com passos lentos na sua direção. Porque, poderia passar o tempo que fosse, eu ainda o amaria. Era óbvio que ele sabia disso. Apostava que ele até sabia que eu interromperia aquele casamento, mesmo me recusando no início.

“Fale agora ou se cale para sempre, mocinha”, o padre disse me lembrando.

Me senti acordando de um longo sonho e percebi que estava parada no centro da igreja e todos esperavam por minha palavras. Meu coração batia feito louco contra meu peito. As palavras ficaram presas na minha garganta, olhei para o altar, vendo o olhar da noiva ir de doce e amigável para mortal e assassino.

Ele, meu amor, pareceu notar para onde eu estava olhando e alternou seu olhar de mim para sua furiosa noiva, então de volta para mim. Ele parecia estar nos comparando, como peças de um leilão.

Meus olhos pesaram, cheios de lágrimas. Todos aqueles anos esperando e eu estava sendo comparada? Como se decidisse qual era melhor levar para casa? Me senti uma total idiota. Era melhor chorar em casa , longe dele, que poderia quebrar meu coração e minhas esperanças com uma simples palavra: Adeus!

Mas, incrivelmente, não foi o que aconteceu. Minha visão, borrada com lágrimas, não o percebeu se aproximando e parando a minha frente. Só o notei quando segurou meu rosto entre suas mãos e disse as palavras que eu mais precisava escutar naquele instante.

“Eu te amo”, sua voz ainda era a mesma. Meu coração traidor deu um solavanco de reconhecimento. “Me desculpe por não ter voltado. Vamos fugir.”

Ele estendeu sua mão na minha direção e esperou minha resposta. Tinha tanta coisa para falar a ele naquele momento. Que eu era sensata. Que minha fase de correr risco sem pensar nas consequências já havia passado. Que ele não poderia jogar tudo para o alto por causa de um amor de escola.

Mas tudo o que eu fiz foi pegar sua mão e correr para fora da igreja. Seguindo os nossos, sonhos, desejos e esperanças. E o meu coração palpitante bem mais apaixonado.

Set Fire To The Rain






Eu andava pela rua sem olhar para trás. De meus olhos lágrimas solitárias caíam. Mantinha minha bolsa apertada contra a meu peito enquanto desejava que a dor sumisse. Ele não poderia ter me traído daquela maneira. Não depois de dizer que me amava. Não depois de me fazer entregar meu coração.

A chuva começou a cair, enquanto eu andava apressada pela rua, esperando poder chegar em casa e mergulhar em minha dor. Passos apressados se aproximavam de mim, enquanto minha mente tinha um momento de torpor. As lembranças queimavam em meu cérebro.

Sempre fui uma mulher forte, que não abaixava a guarda para ninguém. Muito menos entregava o meu coração. Mas ele era diferente. Sabia como mexer comigo, de um jeito que nenhum outro podia. O encontrei na rua, sem querer. Estava voltando tarde do trabalho e andava sem prestar atenção. Quando dei por mim, estava sendo assaltada.

Ele apareceu do nada quando eu pensei que tinha perdido tudo. Minhas fortes mãos se fecharam no colarinho de sua camisa e meus joelhos cederam. Seus olhos verdes me estudaram com preocupação. Seus braços eram a única coisa que me impediam de cair. O mundo pareceu se iluminar quando ele esticou a bolsa em minha direção. A minha bolsa.

“Mas, como?”, eu perguntei com a voz fraca.

“Eram fracos. Foi fácil pegar de volta.”, ele me levantou. Seus braços ainda ao meu redor. “Você está bem? Quero dizer, depois disso, você não se machucou?”

“Não.”, respirei fundo e olhei aqueles olhos verdes. “Quem é você? Um anjo?”

“Quase.”, ele riu. “Meu nome é Angelo.”

“Marisa.”

Sabia que era loucura, mas, depois de dizer o meu nome e me ver presa naquela jades, tudo o que eu pude fazer, foi beijá-lo. Beijar um desconhecido. A coisa mais maluca que eu tinha feito em toda a minha vida. Não, risque essa frase. A coisa mais louca de toda a minha vida, foi ter levado, em seguida ele na minha casa e ter passado a noite com ele.

Poderia dizer que, aquele beijo tinha me salvado de fato. Tinha se passado muito tempo desde que tinha conhecido um homem tão bonito. Quando acordei ao lado dele, senti que poderia ficar ali e aproveitar sempre. Fechei meus olhos e percebi que nada era melhor.

Ele teve que sair cedo, dizendo que passaria no trabalho. Eu entendi. Também tinha o meu trabalho.
Mais tarde, naquele mesmo dia, Angelo me mandou uma mensagem dizendo que precisava viajar. Achei um pouco estranho, mas não reclamei. Até porque só tínhamos passado a noite juntos, ele ainda tinha feito demais me mandando uma mensagem.

Três semanas se passaram e ficamos trocando apenas mensagens. Eu estava totalmente apaixonada. Meu salvador, talvez meu futuro marido. Olhando a internet, encontrei um endereço que talvez ele estivesse. Estava totalmente iludida e apaixonada. Além disso, não me custaria ir até lá.

Ao chegar, estranhei que a luz estivesse acesa. Talvez fosse uma empregada ou coisa do tipo. Deixaria um recado e poderia perguntar quando Angelo voltaria. Ao tocar a campainha, me surpreendi quando vi uma mulher com um bebê no colo que atendeu. Eu poderia estar na casa errada. Mas algo me disse que não era aquilo. A mulher, simpática sorriu.

“Olá.”, ela cumprimentou.

“Hum, é aqui que mora o Angelo?”, perguntei.

“Sim, sim”, ela respondeu mais alegre. “Quer que eu o chame?”

Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, ela começou a gritar o nome de Angelo. Ele apareceu uns momentos depois e quando nossos olhos se encontraram, eu congelei. Então olhei para o dedo dele, vendo uma aliança. Então olhei para a aliança da mulher. Devo ter ficado pálida, porque a mulher ( A ESPOSA DELE) pôs a mão em meu ombro e disse:

“Está tudo bem com você, querida?”, ela perguntou, então se virou para Angelo. “Amor, busque uma água para sua amiga.”

“Não, não”, eu engoli a seco. “Está tudo bem. Eu , eu já vou.”

Sem mais nenhuma palavra, eu saí correndo rua afora.

Me puxando para longe das lembranças, fui segurada pelo braço e virada. Me peguei encarando aqueles olhos que tanto me esconderam. Ali parada o encarando, pude perceber que tinha um lado dele que eu nunca soube. Que as coisas que ele me dizia não eram verdade. E que eu era apenas um jogo , que no final, ele ganhou.

“Espera, Marisa”, ele me puxou contra o seu peito. “Desculpe, eu menti.”

“E você me diz isso agora?”, eu disse e funguei.

“Não posso abandoná-la.”, ele abaixou os olhos, parecendo envergonhado. “Eu amo minha mulher e minha família.”, então levantou seus olhos para mim. “E também te amo.”

Se essa declaração tivesse vindo em outro momento, seria a coisa mais linda de toda a minha vida. Mas, naquele segundo, tudo o que eu fiz foi dar um tapa no rosto dele, com raiva. Quando estava pronta para dar outro tapa, ele segurou meus pulsos e pôs nossos rostos próximos. Segurei a respiração e parei de lutar.

“É a última vez.”, ele sussurrou

“A última vez.”, eu repeti.

E nos beijamos.

Mesmo depois de alguns meses, ás vezes eu acordo perto da porta, pronta para entregar meu coração aquele maldito mentiroso. Daria tudo para tocar seu rosto mais uma vez na chuva. Nos atirar mais uma vez nas chamas.

Eu atiraria fogo na chuva mais uma vez.