segunda-feira, 29 de julho de 2013

Meu Último Suspiro




O amor.
Como poderia descrever o amor? Sim, eu amei, mas por pouco tempo. Eu vivi por pouco tempo. Estava pronta para regressar a faculdade e declarar meu amor por Edward, quando vi tudo se desmoronando na minha frente com uma pequena frase:
Você tem leucemia.

Ao ler a carta de Bella, meus olhos se encheram de água. Senti o braço de Jasper em meus ombros, mas nada poderia consolar a dor de perder uma amiga. Minha melhor amiga. Pior ainda quando seu corpo estava deitado, sem vida ao meu lado, em um leito de hospital.

Planejei cada passo da minha vida e me arrependo disso. Se eu soubesse que o beijo da morte já estava estalado em minha bochecha, teria vivido e aproveitado mais. Agora é tarde demais. Estou presa em suas realidades diferentes. Em uma delas, ainda estou viva, me esforçando para escrever essa carta.
E em outra, sou apenas um corpo frio que tem a indelicadeza de fazer as pessoas que eu amo chorar. Porque, bem, eu estou morta.

A porta do quarto se abriu, interrompendo a minha leitura. Eu e Jasper nos viramos, apenas para encontrar os olhos de Edward. Era fácil dizer que meu irmão estava desolado. Eles tinham perdido muito tempo. Embaixo de seus olhos verdes, tinham olheiras roxas que quase pareciam hematomas. 

Eu suspirei.

Jasper estreitou os olhos para ele, mas resolveu não dizer nada. Sim, eles tinham uma história conturbada por conta de seus relacionamentos com Bella. Sabia que não era nada fácil para Jasper encarar Edward depois de saber que ele era amante de sua namorada.

Mas, o luto tinha tomado conta de todos, impedindo que eles brigassem. E a visão do corpo de Bella deitado bem a frente deles também impedia. Edward não disse nada, apenas se sentando na cadeira ao lado do corpo de Bella e pegou a sua mão, tremendo ao perceber o quão frio ela estava. Voltei meus olhos para a carta.

Sempre fui o tipo de garota que não fazia coisas erradas. Quero dizer, não podia afirmar que nunca tinha fugido de casa uma noite para ir a uma festa. Sim, eu tinha feito isso. E foi desse jeito que eu conheci Edward.

Era incrível que morávamos na mesma cidade, mas eu nunca tinha tido nenhum tipo de contado com os Cullen. Mas, meu primo Emmett tinha. E ele quem me arrastou para aquela festa. Eu estava de castigo por andar de moto com meu amigo, Jacob. Meu pai estava uma fera comigo. Eu moraria no quarto se dependesse de Charlie.

Desculpe interromper, mas, estou rindo. Só por pensar que, sim, eu vivi a maior parte da minha vida em um quarto. Não conseguia me abrir com ninguém, e tinha tanto que eu estava querendo dizer. Eu já estava namorando Jasper e ele era o namorado perfeito...Mas,não para mim. Eu sabia de uma pessoa perfeita para ele, mas deixarei para dizer sobre isso mais tarde.

Parei de ler novamente, sentindo minhas bochechas queimando com a lembrança de que Jasper estava bem ao meu lado, também lendo a carta deixada por Bella. Olhei novamente para Edward. Ele não tinha deixado de olhar Bella por nenhum minuto desde que chegou. Novamente, senti meu coração se apertando ao ver o jeito como meu irmão estava desolado.

Eu adoraria contar com detalhes como eu e Edward nos conhecemos, mas estou tão cansada. Eu apenas quis escrever isso, porque não queria que vocês sofressem. E queria resolver as coisas que deixei pendentes. Primeiro, para Jacob.
Jake, você sempre foi meu melhor amigo. Estava ali quando eu mais precisava de você. E sei que se manteve forte durante todo esse tempo, apenas para me dar confiança. Mas, nós dois sabíamos que não existia chances para mim. A doença já estava muito avançada para ser tratada. Sei que você gostava de mim e esperava que, se eu sobrevivesse – por um milagre – talvez déssemos certo. Jake, tenho certeza que, depois que você ler tudo o que está nessa carta, você irá pensar bem nisso que você desejou.

Me lembrei do jeito que Jacob olhava para Bella durante seus últimos dias de vida. Ele estava sofrendo tanto que dava pena. E pensar que essa carta já havia sido passada para todos da família de Bella, deixando-nos por último. Os Swan estavam cuidando dos últimos detalhes do enterro. Eram as últimas horas de Bella ali. Do corpo dela ali.

Rosalie, minha cunhada. Sei que nunca fomos muito próximas e que só éramos educadas uma com a outra por causa de Jasper. Mas quero que saiba que eu sempre te admirei. Por ser uma pessoa forte e que tem opinião própria. E sei que você e meu primo vão ser felizes juntos. Afinal, se não fosse pelo namoro de vocês, eu nunca teria conhecido Jasper.

Sei que você deve ter ficado com muita raiva após saber o que eu tinha feito com seu irmão. Eu me arrependo todos os dias. E agradeço que essa culpa esteja chegando aos dias finais. Espero que você me perdoe por tudo o que eu fiz. Estava cega. E acho que tudo o que está acontecendo comigo nesse momento, é uma consequência.

Fechei os olhos. Impressionada com o quanto Bella ficou amargurada em seus últimos dias. Claro que ela escondeu tudo quando vínhamos visitá-la. Ela sempre sorria e brincava. Mas, ás vezes, eu conseguia ver a dor no fundo dos olhos de minha amiga. Dor de deixar aquele mundo tão cedo. Meu Deus, ela só tinha 18 anos. Recomecei meu choro silencioso.

Emmett, meu primo querido. O sorriso da família Swan. Você foi a pessoa que me apresentou os dois homens da minha vida. A pessoa que realmente me fez viver. E que me manteve viva. Ah, primo nem posso falar muito sobre você sem começar a chorar. Aqui, deitada no leito de hospital no meio da noite e sozinha, fico imaginando que piadas de fantasmas você poderia fazer.

Sei que você fará Rosalie a pessoa mais feliz do mundo. Com esse coração do tamanho do mundo. Eu espero que você seja feliz. E não esqueça de fazer uma piada sobre como pensou que eu nunca poderia ficar mais pálida.

“Meu Deus.”, eu disse dando a carta a Jasper e me levantando. Coloquei a mão em meu rosto e balancei a cabeça. “Eu não vou conseguir mais ler isso.”, comecei a soluçar. “Bella era minha melhor amiga e eu a juguei tanto. Se, pelo menos ela tivesse me contado que estava doente. Que ela estava apenas querendo viver seus últimos dias.”, me interrompi e continuei chorando.

“Alice.”, meu irmão disse, me envolvendo em um abraço. “Ela sabia que você a amava. E que você falava aquelas coisas porque se importava. E porque queria que ela fosse feliz.”

“Tenho certeza que ela escreveu isso pensando em todo mundo.”, Jasper disse, olhando nos meus olhos. Engoli em seco, alguma coisa se agitando em mim. “Além disso, ela escreveu para você. Então, você deveria ler como um último pedido de um morto.”

Abaixei meus olhos e suspirei. Então, me livrei dos braços de Edward e voltei a me sentar. A dor tomava meu peito e fazia um buraco sem fim. Me encolhi, pegando a carta do chão. Jasper voltou a se sentar do meu lado e Edward , sentou-se ao lado de Bella e começou a acariciar seus cabelos castanhos.

Respirei fundo e recomecei.

Charlie. Pai. Meu protetor. Eu acho que essa parte da carta será apenas para me desculpar. Me desculpe por ter sido tão fechada e nunca ter dito o que você precisava escutar como pai. Por exemplo, que eu te amo e que agradecia todos os dias por ter um pai tão maravilhoso. Sei que chegou muitas vezes a pensar em colocar uma escolta atrás de mim. Mas, me desculpe.

Eu não deveria ter dito tudo o que disse no dia em que descobri que estava doente. Não deveria ter descontado em você uma coisa que estava acontecendo comigo. Pai. Deveria ter te chamado você desse jeito mais vezes. Mas, quero que saiba que eu me redimir. E a única que me arrependo é de não ter entrado na faculdade que você queria. E por não ter podido dar essas desculpas pessoalmente. Te amo.

Então, esse era o motivo por Charlie ter chorado. Eu nunca o tinha visto tão emotivo. Na verdade, nunca o tinha visto emotivo. Ele não gostava de meu irmão, mas depois que leu a carta, disse para que eu desse lembranças a ele.

Respirei fundo, tentando reunir coragem para continuar. Passei a mão pelo meu rosto, limpando as lágrimas. Jasper pegou a minha mão e deu um leve aperto, indicando que estava ali. Sim, eu sabia que ele estava ali. Sua presença era bem predominante para mim. Suspirei e pisquei algumas vezes, tentando clarear minha visão.

Mãe, tenho tantas coisas para te dizer que eu acho que nessa carta não daria tudo. Mas, tentarei resumir. Tenha cuidado, por favor. Não faça nada que coloque sua vida em risco, mas também não entre na rotina. Quero que seja feliz com seu marido. E não fique eternamente de luto. Sei que dói, mas você ainda está viva. E quero que continue assim por um longo tempo.

Acho que, já que estou morta, posso dizer que tenho um pouco de inveja de você. Porque você viveu bem mais que eu. Mais amores. Mais aventuras. E eu sempre fiquei planejando o futuro, sem aproveitar o passado. Parece que quem tem 40 anos sou eu. Quero dizer, parecia. Mãe, disse que iria resumir, então é isso.

Me desculpe por não ter voltado a morar com você, mas eu precisa conhecer meu pai além de um nome e de um rosto. E, mãe, ele é um homem e tanto. Eu te amo.

Escutei Jasper arfar ao meu lado, ao perceber que o próximo nome era o dele. Passei a língua pelos lábios. A carta já estava no fim. Impressionei-me com a coragem de Bella de escrever ao namorado e ao amante em uma carta.

Jasper, querido. Não sei o que dizer para você. Não vou dizer que já pedi desculpas demais. Mas palavras não descrevem nem a metade do arrependimento que eu sinto em ter te traído. Mas, nós somos muito iguais. E isso estava estragando nossas vidas. Não estávamos mais juntos por nos amarmos. Estávamos juntos porque estávamos acostumados um com a companhia do outro.

Você é um ótimo amigo, mas só isso. Ainda lembro do dia que a gente se conheceu. Foi no colégio. Você era da sala de Emmett. E quando eu fui falar com meu primo, você estava lá. E parecia me compreender de um jeito que ninguém mais sabia. Você escutou quando eu sofria. Você me deu conselho. Você fez com que eu visse graça em viver.

Mas, você não foi destinado para mim. E você sabe disso tanto quanto eu. Não era cega. Sabia que seus olhos sempre se desviavam quando ela passava. Sabia que você ficava nervoso quando eu falava dela. Eu ia te dar a chance de ser feliz e poder investir nela. Mas, o destino foi cruel demais comigo. E mesmo quando eu te dava qualquer pista do que iria fazer, você desconversava ou dizia que eu estava falando besteira.

Não, Jasper. Não era besteira. Você não merecia ficar com uma pessoa que estava te traindo. Não quando tinha uma pessoa maravilhosa que gostava de você . Era visível que vocês se completavam e eu apenas estava atrapalhando. Tenho muitas coisas para me arrepender em relação a você, mas uma das principais é por não ter te libertado. E você acabou sendo o “viúvo”.
Agora que eu já me fui, você terá a sua chance. Não a desperdice assim como eu fiz.

Senti o corpo de Jasper ficar tenso atrás mim. Eu não sabia se era por conta da carta de Bella para ele, ou por Edward ser o próximo. Fiquei tentada a chamar meu irmão, mas sabia que ele merecia um momento á sós com Bella quando lesse. Era óbvio que ele queria chorar, mas não o faria na frente de mim e Jasper.

Senti alguma coisa na boca do meu estômago, como se eu tivesse tomado um soco. Jasper já tinha outra em mente. Eu deveria saber. Nós éramos muito diferentes. Eu me sentia horrível por ter desejado o namorado da minha melhor amiga.

Afinal, aquilo era errado. Mas quando vi o rosto de Jasper tão perto do meu, eu senti uma vontade quase incontrolável de beijá-lo. Depois de bater nele. E depois de gritar que eu o amava e que se ele me desse uma chance, eu poderia fazê-lo o homem mais feliz do mundo. Mas, tudo o que eu fiz vou voltar a ler a carta. Era a vez de Edward.

Edward. Sabe quando somos jovens e planejamos viver um conto de fadas que durasse para sempre? Era isso o que eu senti quando te conheci. No começo dessa carta eu disse que estava pronta para me declarar para você. Já que eu não tive essa chance ao vivo, vou dizer por aqui mesmo. Espero que você não se importe que algumas pessoas tenham lido antes.

Lembra de quando nos conhecemos? Que Emmett nos apresentou? Nossa, eu nunca tinha sentido meus dedos formigarem tanto quanto naquele momento. E eu sabia que era errado, mas quando você se aproximou para me beijar, eu esqueci de tudo e de todos. No dia seguinte, sabia que tinha feito uma coisa errada traindo meu namorado, mas eu não ligava.

Vou dizer uma coisa. Eu sempre quis falar com você. Mas, seu jeito quieto formava um tipo de escudo que evitava a aproximação de qualquer um. Além disso, você era tão popular. O que você iria querer com uma nerd anti-social? Mas, já que estou morta, não poderei ver sua expressão de arrependimento por ter ficado comigo.

Sei que você ficou muito magoado ao saber que eu tinha namorado. Eu deveria ter te contado, eu sei. Mas, eu não conseguia. Porque, só de me imaginar te perdendo, fazia meu coração sangrar de um jeito sufocante. Espero que a sua escolhida te faça tão feliz, quanto eu queria. E sim, eu te amava. Mesmo você com essa fachada de garoto mal e misterioso. Eu vi atrás disso. Vi que ali no fundo, só tinha um garoto que precisava de colo, algumas vezes.

Eu queria ser a garota que iria te dar o colo. Mas errei em te fazer de meu amante por tanto tempo. Deveria ter terminado com Jasper no primeiro sinal em que eu estava apaixonada por você. Não, esqueça essa frase. Deveria ter terminado com os dois no momento em que soube da doença. Você é muito novo e não merecia ter passado por tudo o que eu fiz você passar.

Por favor, não se feche para o mundo por minha causa. Você tem ótimos amigos e sei que, se colocarem as diferenças de lado, você e Jasper podem se tornar ótimos amigos. Afinal, nenhum de vocês sabiam o que eu estava fazendo. Eu sou responsável por tudo. Por essa raiva que surgiu entre vocês. Mas, se me anularem da vida de vocês, vão perceber que, tem muito em comum. Talvez esse também seja o outro motivo que me fez ficar com você. Que me fez te amar.

Sei que disse tudo tarde demais. Ma,s eu quero que tenha na mente, que estou sorrindo enquanto escrevo isso para você. Não imaginava que iria te amar em tão pouco tempo. Na verdade, eu não imaginava que tinha pouco tempo. Mas, veja como a vida é engraçada.

Olhei por cima dos meus ombros para onde meu irmão estava. Ele iria ficar destruído depois que lesse aquilo. Ainda mais depois da briga que ele e Bella tiveram há poucos dias. Logo depois da briga, Bella acabou no hospital. E alguns dias seguintes, faleceu. Minha garganta fechou e eu soube que estava chorando de novo. Não sabia se teria mais força de terminar. Mesmo que já estivesse no final.

“A próxima é você, Alice”, Jasper sussurrou.

Eu voltei a olhar para carta e vi meu nome na letra embolada de Bella. Fechei os olhos e deixei que as lágrimas escorressem por meu rosto. Eu queria ter feito alguma coisa. Não deveria ter acusado Bella daquele jeito. Se eu tivesse falado com ela antes de dizer dizer alguma coisa a Edward, ela teria ficado mais tempo.

“Pode ler para mim?”, pedi a Jasper. Ele pegou a carta da minha mão, mas seus olhos se mantiveram em mim. “Não sei se vou conseguir.”, soltei um soluço.

“Tudo bem”, ele respirou fundo e começou a ler.

Alice, minha doce e inesquecível amiga. Caramba, estou louca para dizer muitas palavras a você, mas só tem duas coisas que eu realmente acho que é importante nesse momento: Te amo e não se culpe. Tudo aquilo que você me disse, tudo aquilo que você descobriu, era verdade. Afinal, era seu irmão. Eu não esperava nada de diferente.

Eu que deveria ter pensado. Estava brincando com duas pessoas especiais na sua vida. E eu tenho certeza que você irá que eles sejam felizes depois da minha ida. Você sempre teve o melhor jeito com as pessoas do que eu. Aposto que eles nem sentiram a minha falta com você por aí. Dê um apoio a Jasper. E , por favor, entregue a Edward essa carta. Acho que assim eu poderei descansar em paz.

Isso se você tiver me perdoado mesmo. Eu queria ter ido fazer compras com você, assim como te prometi na semana passada. Deixe para outra, ok? Seja feliz minha amiga. E como eu disse a Jasper, não desperdice a chance que Deus está te dando, assim como eu fiz. Acho que com isso, eu posso dar o meu Adeus.

Fechei os olhos, chorando copiosamente. Jasper largou a carta e me abraçou. Me deixei chorar ali, até que a dor no meu peito diminuísse o suficiente para que eu levantasse os olhos. Então era isso. Minha melhor amiga estava morta. Me levantei e sentei ao lado de Bella. Edward parou de acariciar seu cabelo e me encarou enquanto eu pegava na mão dela.

“Me perdoa, Bella.”, eu chorei e pus sua mão gelada na minha testa. Chorei mais ainda por perceber que não teria resposta. “Não queria ter brigado com você. Você é minha melhor amiga.”, respirei fundo e olhei para o meu irmão, entregando a carta a ele. “Ela te amava, também.”

Então me levantei indo em direção a porta. Jasper pegou e minha mão e sorriu.

“Eu estou aqui com você”, ele disse e me abraçou.

Eu saí dali com a última frase da carta soando em minha mente.

Espero que a notícia da minha morte não dê muitas repercussão. Sempre odiei ser o centro das atenções.
Adeus.
Bella.


Adeus, amiga. 

sábado, 26 de janeiro de 2013

Cisne Negro







O que nos faz do mal?

Sermos diferentes daqueles que todos julgam como bom? Que admiram? Reagindo de forma variada para situações difíceis? Nos vestindo diferente?

Amar a pessoa que foi destinada a outra?

Ali estava eu, parada no mesmo penhasco em que minha irmã gêmea se jogou. Onde o Cisne Branco se suicidou. E era onde eu pensava na vida. Talvez o lugar para terminá-la.
Todos da floresta me julgavam pela morte da Cisne Branco. Só porque ela se matou após me vê com seu príncipe encantado e ele se declarar para mim.

Eu tinha culpa em mim. Tanto remorso quanto dor. Me fiz diferente de minha irmã e todos me julgavam. Mas, os bons podem julgar? Eles não deveriam me acolher e escutar meu ponto de vista?

Eles apenas olharam para minhas penas negras, sem se importar que meus sentimentos fossem puros. Sem perguntar se eu poderia amar.

Eu amava minha irmã, mesmo não demonstrando. Ela era minha única família e a única que acreditava que eu poderia ser boa. Era ela quem via uma luz em mim.

Quando fui ao baile em seu lugar , minha intenção era de dizer ao príncipe que minha irmã era apaixonada por ele. Mas, quando ele nos confundiu e me pediu uma dança, foi como se eu pudesse ver uma luz. Uma chance.

Por um momento, jurei ter visto um brilho de reconhecimento em seus olhos. Ele sabia que eu não era a Cisne Branco. Apenas não me repeliu. Ele me viu além da fachada do Cisne Negro.

Sua declaração de amor para mim me deixou perplexa. Se ele realmente não nos confundisse, ele estava se declarando para mim, certo? Para o Cisne Negro.

A alegria da declaração só durou até a notícia do suicídio da Cisne Branco se espalhar. O príncipe me acusou de tê-lo enganado. Todos que moravam na floresta me desprezavam.

Mas, o que mais me atingiu foi o sentimento de desolação. Saber que minha irmã tinha morrido pensando que eu era uma traidora.
Talvez eu tivesse a chance de falar com ela. o vento do penhasco tocou-me com leveza e eu pulei, com um sorriso no rosto. Me sentis livre e estava voando.

Logo poderia pedir perdão por amar aquele que lhe era destinado. Aquele que a libertaria dessa maldição.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Back To December





Aquela seria a conversa mais tensa de toda a minha vida. Meu ex-namorado do tempo da escola estava sentado na mesma mesa que eu, me encarando. Quando a campainha tocou a 5 minutos atrás, a última pessoa que esperava passar pela porta era ele. Se passaram tantos anos. 2, 3 anos. A quem eu queria enganar? Sabia os dias, as horas, os meses e os anos que se passaram depois daquele dia.

Só não esperava o encontrar depois de tanto tempo.

Mesmo não demonstrando, estava feliz por ele ter tirado um tempo para me ver. Sua expressão não era a das melhores. Estava tenso, as mãos cruzadas na frente do rosto e os lábios franzidos. Eu não ficava muito atrás. Tinha um motivo para ele estar ali e no fundo sabia que não iria gostar nada.

“Se você me olhasse, eu poderia começar a falar”, ele disse chamando minha atenção. Obedeci-o e assenti. Senti uma leve pontada no peito por encará-lo. Tanto tempo e ele ainda era o mesmo. “Como você tem andado?”

"Bem,”, respondi, confusa. Mas feliz por tocarmos em um assunto tão neutro. “E você? Como está sua vida?”, me empolguei e sorri. “Me conte de sua família. Não os vejo faz um tempo.”

“Eles estão bem”, ele disse destacando cada palavra com cuidado.

Parecia presunçoso em falar comigo. Ou melhor, sua guarda estava em pé e eu sabia o porque. Na última vez que ele tinha me visto, ainda trazia tristeza ao meu coração e não era as melhores lembranças. Me levantei, um pouco incomodada com seu olhar.

“Minha irmã está namorando.”, ele disse de repente. As palavras saíam arrastadas de sua boca, como se ele tivesse medo de pronunciá-las. Encarei-o com os olhos arregalados. Ele soltou um riso forçado. “Aprendi que, quando se ama alguma coisa, tem que deixá-la livre, se não ela te abandona.”, me deu um olhar significativo.

“Então, está trabalhando com o quê?”, desconversei.

“Sou arquiteto”, ele murmurou batendo o dedo na mesa. “E você?”

“Atriz”

“Serve para você.”, seu olhar foi de cauteloso para raivoso em uma palavra minha. “Esqueci que você tem o dom de brincar com as emoções. Sejam suas ou de outra pessoa.”

Virei de costas e comecei a passar a mão pelo vaso de flores. Nele, habitavam rosas já mortas, mas que eu nunca tive coragem de jogar fora. Ele arfou ao vê-las e fungou.

“Não sabia que você ainda as guardava.”, ele disse surpreso.

“Eu guardo muita coisa que você não sabe.”, mexi no porta retrato antigo. Escutei-o levantar e tirou a foto da minha mão. Na foto, estava eu e ele, no começo no namoro. Aquilo deveria ter uns 5 anos, pelo menos. Nós sorríamos, felizes.

“Foi a primeira vez que eu disse que te amava.”, ele lembrou. “E você não disse nada em resposta.”, hesitou. Senti seu olhar queimando na minha noca. “Você me amava?”

“Sabe está ficando frio e tarde.”, disse tomando a foto de sua mão e passando o dedo por ela. “Então, me diga logo o que você quer”

“Eu vou me casar”

Assim. Sem mais, nem menos. Ainda de costas, fechei meus olhos e fiquei tensa. Com força exagerada, bati com o porta retrato no lugar. A pontada em meu peito, só fez aumentar, se tornando um tipo de buraco. Tentei engolir o bile, mas parecia que algo estava fechando minha garganta.

“Resolvi te convidar de última hora.”, ele continuou vendo que eu não falaria nada. “Já que nossas mães são amigas...”

“Com quem?”, o cortei com um sussurro.

Algo deslizou pela mesa até mim. Outra foto, só que de uma mulher. Fiquei um tempo a olhando, vendo seu sorriso de vitória, então me virei para entregar a foto. Ele estava tão perto de mim que nem precisei esticar o braço para entregar a foto. Continuou olhando para o meu rosto, com uma careta. Talvez, toda vez que me olhasse, lembrasse daquela horrível noite em que lhe disse Adeus.

E me arrependia amargamente todo dia. Percebi que o amava naquele mesmo outono. Depois, vieram os dias escuros e o medo tomava conta da minha mente. Me encolhia toda vez que lembrava que ele tinha me dado seu amor e eu o dei um adeus. Uma decepção. E eu volto a dezembro daquele ano, toda hora.

“Você tem dormido esses dias?”, ele sussurrou tocando abaixo dos meus olhos com a ponta dos dedos.

“Não”, desviei meu rosto de sua mão e caminhei até a porta. “Não consigo dormir a essa época do ano.”, o aniversário de término. “Se você já falou tudo o que queria...”, abri a porta mostrando onde minhas palavras chegariam.

Ele caminhou até a porta sem dizer uma palavra, mas quando tentei fechar a porta, seu pé ficou no vão, me impedindo. Um flash do dia em que terminamos voltou a minha mente. Balancei a cabeça, afastando-a. Essa era uma das muitas coisas que me arrependia. De tentar esquecê-lo quando já estava tão tatuado dentro de mim. Nem no seu aniversário eu tinha ligado.

O que mais eu poderia fazer agora? Ficar de joelhos, engolir o orgulho na frente dele e dizer que sentia muito por aquela noite? Que a liberdade não era nada se sentia sua falta e que deveria ter percebido aquilo quando ele ainda era meu?

Que as lembranças de dezembro voltavam toda hora.

Mas ali, o vendo depois de tanto tempo, vi que falaria bem mais. Que sentia falta da sua pele bronzeada, do seu sorriso doce. Tão bons para mim, tão certos. Lembrava da noite de Setembro que me acolheu em seus braços, a primeira vez em que me viu chorar. Talvez isso seja pensamento positivo. Provavelmente um sonho bobo, mas se eu pudesse amá-lo de novo, amaria direito. Era o que eu queria dizer. Só que o que saiu foi:

“Perdeu algo aqui?”

“A mulher que eu amo”, ele respondeu prontamente. Minhas mãos, antes firmes segurando a porta, amoleceram, e ele empurrou a porta sem trabalho. “Eu volto a dezembro, dou meia volta e fica tudo bem. Ás vezes mudo de ideia. Mas, eu volto a dezembro toda hora.”, dei um passo para trás, assustada com seus (e meus) sentimentos reacendidos. “Diga que me ama”, ele parou e balançou a cabeça. “Diga que me amou,”, estava mais convicto. “E eu desisto dessa loucura agora”

Abri a boca para dizer tudo o que estava engasgado a 3 anos na minha garganta. Então, algo caiu do seu bolso quando foi se ajoelhar ao lado do meu corpo encolhido. Olhei para o cão e vi, novamente, a foto de sua noiva. Percebi que agora, as palavras que sairiam da minha boca, definiriam não só o meu futuro e o dele, mas de outra pessoa. Eu tinha perdido a minha chance e não poderia fazer nada para mudar, além de me desculpar.

“Se eu pudesse voltaria no tempo, mudaria tudo, mas não posso”, eu disse pegando em sua mão. “Se sua porta estiver fechada, eu entendo.”, desviei meus olhos dos seus e deixei meu rosto branco. “Podemos ser amigos”

“O que você está dizendo?”, ele ficou estático.

“Estou dizendo”, minhas palavras eram rudes. “que te vejo no casamento.”, me levantei e gesticulei para a porta.

Ele ficou me olhando como se eu fosse maluca por um tempo, até que se levantou e caminhou calmamente até a porta, mesmo vendo seu corpo tenso. Antes de sair, ele se inclinou na minha direção e deu um beijo em minha testa. Fechei os olhos, aproveitado o possível último contato de seus lábios com minha pele. Ele se afastou e foi embora. Dolorosamente, fechei a porta e escorreguei até o chão.

O buraco em meu peito cresceu e se esticou até meu coração, causando torpor ao meu corpo. As palavras, antes presas em minha garganta saíam em forma de lamentação e engasgo. As lágrimas desciam por meu rosto e simples palavras fluíam de minha boca. Palavras que poderiam ter mudado minha vida.

“Eu ainda te amo.”

Fale Agora





A igreja estava cheia. Minha melhor amiga estava ao meu lado tentando me passar confiança. Do outro lado, minha irmã estava furiosa por conta da minha reação aquela situação bizarra.

Não iria ser hipócrita e dizer que estava normal. Eu estava em choque. Com raiva, também, mas principalmente em choque. Não esperava receber o convite para aquele casamento. Me imaginava ajudando a escolhê-los com uma aliança no dedo.

Por dentro, eu estava calmíssima. Meu coração não iria explodir (Oh, não). Quando recebi o convite, não chorei a noite inteira (Que nada). E nem gritei da janela que ainda o amava, mesmo que estivesse cometendo o maior erro de sua vida.

Estava controladíssima. Tão controlada que tinha sido praticamente arrastada até aquela igreja. Mas, uma coisa que eu me recusava a fazer, era interromper o casamento. Ele tinha feito a sua escolha. Ela, sua atual noiva, e não a mim, sua antiga namorada do colégio.

Eu ainda me sentia um pouco burra por ter acreditado em suas promessas. Que, mesmo na distância, ele me amaria. E que poderiam se passar 10, 20 até 30 anos. Ele nunca me esqueceria. E lá estava eu, no seu casamento. Com outra.

Então, se sentia tanta dor, raiva e recendimento em relação a ele, por que tudo pareceu tão banal quando nossos olhares se cruzaram?

Ele ainda era o mesmo. Alguns anos mais velho, mas o mesmo bobo apaixonante. Tantas coisas que eu tentei dizer em um único olhar. Tantas coisas que queria que me dissesse. Mas tudo isso, esse curto e maravilhoso momento, foi cortado quando a marcha nupcial começou.

Desviar meus olhos do dele foi doloroso. Porém, nem tanto quanto ver a noiva deslizando pela igreja em direção ao altar. Em direção a ele. Era impressão minha ou a marcha nupcial estava soando como uma marcha fúnebre?

A noiva sorria para todos, amigavelmente. Sabia que todos estavam ali para ver algo especial. Só não sabia se era o casamento se concretizando ou eu o interrompendo.

Conforme a cerimônia se seguia, senti vários olhares em mim. É claro que além de mim, do noivo, da minha amiga e minha irmã, tinha outras pessoas que sabiam de nossa história mal resolvida. Seus amigos, por exemplo. Sua família também. Todos esperando uma reação de mim.

A intensidade desses olhares aumentou quando o padre disse as decisivas palavras: Se tem alguém aqui presente que seja contra esse casamento, fale agora ou cale-se para sempre.

Um silêncio súbito atingiu a igreja enquanto eu me encolhia e fechava meus olhos. A dor aumentando contra meu peito, me fez gemer baixo, chamando toda atenção para mim. Um breve filme passou por minha mente. Nossas alegrias, nossas esperanças, nossos sonhos. Tudo jogado para alto por conta do destino. Eu ainda conseguia escutá-lo dizer que me amava.

Não sabia se tinha sido isso (as lembranças) ou se finalmente ele tinha me feito endoidar de vez, mas quando dei por mim, estava com minha mão levantada. Escutei um par de arfares e um par de suspiros aliviados , ao meu lado.

Pensei em abaixar minha mão, dizer ao padre que tinha sido um equívoco da minha parte e para continuar a cerimônia. Talvez meu antigo amor fosse feliz com sua noiva. Pensei em assistir em silêncio minha ruína. Pensei até em levantar e ir embora da igreja. Mas uma coisa me fez continuar.

Seu sorriso.

Era como se o tempo tivesse parado. Melhor, era como se o tempo tivesse parado e voltado. Era só olhar em seus olhos que eu conseguia enxergar a época em que éramos felizes juntos. Era só olhar em seus olhos para perceber que eu, mesmo que negasse, ainda o amava.

Por isso eu levantei e caminhei com passos lentos na sua direção. Porque, poderia passar o tempo que fosse, eu ainda o amaria. Era óbvio que ele sabia disso. Apostava que ele até sabia que eu interromperia aquele casamento, mesmo me recusando no início.

“Fale agora ou se cale para sempre, mocinha”, o padre disse me lembrando.

Me senti acordando de um longo sonho e percebi que estava parada no centro da igreja e todos esperavam por minha palavras. Meu coração batia feito louco contra meu peito. As palavras ficaram presas na minha garganta, olhei para o altar, vendo o olhar da noiva ir de doce e amigável para mortal e assassino.

Ele, meu amor, pareceu notar para onde eu estava olhando e alternou seu olhar de mim para sua furiosa noiva, então de volta para mim. Ele parecia estar nos comparando, como peças de um leilão.

Meus olhos pesaram, cheios de lágrimas. Todos aqueles anos esperando e eu estava sendo comparada? Como se decidisse qual era melhor levar para casa? Me senti uma total idiota. Era melhor chorar em casa , longe dele, que poderia quebrar meu coração e minhas esperanças com uma simples palavra: Adeus!

Mas, incrivelmente, não foi o que aconteceu. Minha visão, borrada com lágrimas, não o percebeu se aproximando e parando a minha frente. Só o notei quando segurou meu rosto entre suas mãos e disse as palavras que eu mais precisava escutar naquele instante.

“Eu te amo”, sua voz ainda era a mesma. Meu coração traidor deu um solavanco de reconhecimento. “Me desculpe por não ter voltado. Vamos fugir.”

Ele estendeu sua mão na minha direção e esperou minha resposta. Tinha tanta coisa para falar a ele naquele momento. Que eu era sensata. Que minha fase de correr risco sem pensar nas consequências já havia passado. Que ele não poderia jogar tudo para o alto por causa de um amor de escola.

Mas tudo o que eu fiz foi pegar sua mão e correr para fora da igreja. Seguindo os nossos, sonhos, desejos e esperanças. E o meu coração palpitante bem mais apaixonado.

Set Fire To The Rain






Eu andava pela rua sem olhar para trás. De meus olhos lágrimas solitárias caíam. Mantinha minha bolsa apertada contra a meu peito enquanto desejava que a dor sumisse. Ele não poderia ter me traído daquela maneira. Não depois de dizer que me amava. Não depois de me fazer entregar meu coração.

A chuva começou a cair, enquanto eu andava apressada pela rua, esperando poder chegar em casa e mergulhar em minha dor. Passos apressados se aproximavam de mim, enquanto minha mente tinha um momento de torpor. As lembranças queimavam em meu cérebro.

Sempre fui uma mulher forte, que não abaixava a guarda para ninguém. Muito menos entregava o meu coração. Mas ele era diferente. Sabia como mexer comigo, de um jeito que nenhum outro podia. O encontrei na rua, sem querer. Estava voltando tarde do trabalho e andava sem prestar atenção. Quando dei por mim, estava sendo assaltada.

Ele apareceu do nada quando eu pensei que tinha perdido tudo. Minhas fortes mãos se fecharam no colarinho de sua camisa e meus joelhos cederam. Seus olhos verdes me estudaram com preocupação. Seus braços eram a única coisa que me impediam de cair. O mundo pareceu se iluminar quando ele esticou a bolsa em minha direção. A minha bolsa.

“Mas, como?”, eu perguntei com a voz fraca.

“Eram fracos. Foi fácil pegar de volta.”, ele me levantou. Seus braços ainda ao meu redor. “Você está bem? Quero dizer, depois disso, você não se machucou?”

“Não.”, respirei fundo e olhei aqueles olhos verdes. “Quem é você? Um anjo?”

“Quase.”, ele riu. “Meu nome é Angelo.”

“Marisa.”

Sabia que era loucura, mas, depois de dizer o meu nome e me ver presa naquela jades, tudo o que eu pude fazer, foi beijá-lo. Beijar um desconhecido. A coisa mais maluca que eu tinha feito em toda a minha vida. Não, risque essa frase. A coisa mais louca de toda a minha vida, foi ter levado, em seguida ele na minha casa e ter passado a noite com ele.

Poderia dizer que, aquele beijo tinha me salvado de fato. Tinha se passado muito tempo desde que tinha conhecido um homem tão bonito. Quando acordei ao lado dele, senti que poderia ficar ali e aproveitar sempre. Fechei meus olhos e percebi que nada era melhor.

Ele teve que sair cedo, dizendo que passaria no trabalho. Eu entendi. Também tinha o meu trabalho.
Mais tarde, naquele mesmo dia, Angelo me mandou uma mensagem dizendo que precisava viajar. Achei um pouco estranho, mas não reclamei. Até porque só tínhamos passado a noite juntos, ele ainda tinha feito demais me mandando uma mensagem.

Três semanas se passaram e ficamos trocando apenas mensagens. Eu estava totalmente apaixonada. Meu salvador, talvez meu futuro marido. Olhando a internet, encontrei um endereço que talvez ele estivesse. Estava totalmente iludida e apaixonada. Além disso, não me custaria ir até lá.

Ao chegar, estranhei que a luz estivesse acesa. Talvez fosse uma empregada ou coisa do tipo. Deixaria um recado e poderia perguntar quando Angelo voltaria. Ao tocar a campainha, me surpreendi quando vi uma mulher com um bebê no colo que atendeu. Eu poderia estar na casa errada. Mas algo me disse que não era aquilo. A mulher, simpática sorriu.

“Olá.”, ela cumprimentou.

“Hum, é aqui que mora o Angelo?”, perguntei.

“Sim, sim”, ela respondeu mais alegre. “Quer que eu o chame?”

Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, ela começou a gritar o nome de Angelo. Ele apareceu uns momentos depois e quando nossos olhos se encontraram, eu congelei. Então olhei para o dedo dele, vendo uma aliança. Então olhei para a aliança da mulher. Devo ter ficado pálida, porque a mulher ( A ESPOSA DELE) pôs a mão em meu ombro e disse:

“Está tudo bem com você, querida?”, ela perguntou, então se virou para Angelo. “Amor, busque uma água para sua amiga.”

“Não, não”, eu engoli a seco. “Está tudo bem. Eu , eu já vou.”

Sem mais nenhuma palavra, eu saí correndo rua afora.

Me puxando para longe das lembranças, fui segurada pelo braço e virada. Me peguei encarando aqueles olhos que tanto me esconderam. Ali parada o encarando, pude perceber que tinha um lado dele que eu nunca soube. Que as coisas que ele me dizia não eram verdade. E que eu era apenas um jogo , que no final, ele ganhou.

“Espera, Marisa”, ele me puxou contra o seu peito. “Desculpe, eu menti.”

“E você me diz isso agora?”, eu disse e funguei.

“Não posso abandoná-la.”, ele abaixou os olhos, parecendo envergonhado. “Eu amo minha mulher e minha família.”, então levantou seus olhos para mim. “E também te amo.”

Se essa declaração tivesse vindo em outro momento, seria a coisa mais linda de toda a minha vida. Mas, naquele segundo, tudo o que eu fiz foi dar um tapa no rosto dele, com raiva. Quando estava pronta para dar outro tapa, ele segurou meus pulsos e pôs nossos rostos próximos. Segurei a respiração e parei de lutar.

“É a última vez.”, ele sussurrou

“A última vez.”, eu repeti.

E nos beijamos.

Mesmo depois de alguns meses, ás vezes eu acordo perto da porta, pronta para entregar meu coração aquele maldito mentiroso. Daria tudo para tocar seu rosto mais uma vez na chuva. Nos atirar mais uma vez nas chamas.

Eu atiraria fogo na chuva mais uma vez.