Eu andava pela rua sem olhar para trás. De meus olhos lágrimas solitárias caíam. Mantinha minha bolsa apertada contra a meu peito enquanto desejava que a dor sumisse. Ele não poderia ter me traído daquela maneira. Não depois de dizer que me amava. Não depois de me fazer entregar meu coração.
A chuva começou a cair, enquanto eu andava apressada pela rua, esperando poder chegar em casa e mergulhar em minha dor. Passos apressados se aproximavam de mim, enquanto minha mente tinha um momento de torpor. As lembranças queimavam em meu cérebro.
Sempre fui uma mulher forte, que não abaixava a guarda para ninguém. Muito menos entregava o meu coração. Mas ele era diferente. Sabia como mexer comigo, de um jeito que nenhum outro podia. O encontrei na rua, sem querer. Estava voltando tarde do trabalho e andava sem prestar atenção. Quando dei por mim, estava sendo assaltada.
Ele apareceu do nada quando eu pensei que tinha perdido tudo. Minhas fortes mãos se fecharam no colarinho de sua camisa e meus joelhos cederam. Seus olhos verdes me estudaram com preocupação. Seus braços eram a única coisa que me impediam de cair. O mundo pareceu se iluminar quando ele esticou a bolsa em minha direção. A minha bolsa.
“Mas, como?”, eu perguntei com a voz fraca.
“Eram fracos. Foi fácil pegar de volta.”, ele me levantou. Seus braços ainda ao meu redor. “Você está bem? Quero dizer, depois disso, você não se machucou?”
“Não.”, respirei fundo e olhei aqueles olhos verdes. “Quem é você? Um anjo?”
“Quase.”, ele riu. “Meu nome é Angelo.”
“Marisa.”
Sabia que era loucura, mas, depois de dizer o meu nome e me ver presa naquela jades, tudo o que eu pude fazer, foi beijá-lo. Beijar um desconhecido. A coisa mais maluca que eu tinha feito em toda a minha vida. Não, risque essa frase. A coisa mais louca de toda a minha vida, foi ter levado, em seguida ele na minha casa e ter passado a noite com ele.
Poderia dizer que, aquele beijo tinha me salvado de fato. Tinha se passado muito tempo desde que tinha conhecido um homem tão bonito. Quando acordei ao lado dele, senti que poderia ficar ali e aproveitar sempre. Fechei meus olhos e percebi que nada era melhor.
Ele teve que sair cedo, dizendo que passaria no trabalho. Eu entendi. Também tinha o meu trabalho.
Mais tarde, naquele mesmo dia, Angelo me mandou uma mensagem dizendo que precisava viajar. Achei um pouco estranho, mas não reclamei. Até porque só tínhamos passado a noite juntos, ele ainda tinha feito demais me mandando uma mensagem.
Três semanas se passaram e ficamos trocando apenas mensagens. Eu estava totalmente apaixonada. Meu salvador, talvez meu futuro marido. Olhando a internet, encontrei um endereço que talvez ele estivesse. Estava totalmente iludida e apaixonada. Além disso, não me custaria ir até lá.
Ao chegar, estranhei que a luz estivesse acesa. Talvez fosse uma empregada ou coisa do tipo. Deixaria um recado e poderia perguntar quando Angelo voltaria. Ao tocar a campainha, me surpreendi quando vi uma mulher com um bebê no colo que atendeu. Eu poderia estar na casa errada. Mas algo me disse que não era aquilo. A mulher, simpática sorriu.
“Olá.”, ela cumprimentou.
“Hum, é aqui que mora o Angelo?”, perguntei.
“Sim, sim”, ela respondeu mais alegre. “Quer que eu o chame?”
Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, ela começou a gritar o nome de Angelo. Ele apareceu uns momentos depois e quando nossos olhos se encontraram, eu congelei. Então olhei para o dedo dele, vendo uma aliança. Então olhei para a aliança da mulher. Devo ter ficado pálida, porque a mulher ( A ESPOSA DELE) pôs a mão em meu ombro e disse:
“Está tudo bem com você, querida?”, ela perguntou, então se virou para Angelo. “Amor, busque uma água para sua amiga.”
“Não, não”, eu engoli a seco. “Está tudo bem. Eu , eu já vou.”
Sem mais nenhuma palavra, eu saí correndo rua afora.
Me puxando para longe das lembranças, fui segurada pelo braço e virada. Me peguei encarando aqueles olhos que tanto me esconderam. Ali parada o encarando, pude perceber que tinha um lado dele que eu nunca soube. Que as coisas que ele me dizia não eram verdade. E que eu era apenas um jogo , que no final, ele ganhou.
“Espera, Marisa”, ele me puxou contra o seu peito. “Desculpe, eu menti.”
“E você me diz isso agora?”, eu disse e funguei.
“Não posso abandoná-la.”, ele abaixou os olhos, parecendo envergonhado. “Eu amo minha mulher e minha família.”, então levantou seus olhos para mim. “E também te amo.”
Se essa declaração tivesse vindo em outro momento, seria a coisa mais linda de toda a minha vida. Mas, naquele segundo, tudo o que eu fiz foi dar um tapa no rosto dele, com raiva. Quando estava pronta para dar outro tapa, ele segurou meus pulsos e pôs nossos rostos próximos. Segurei a respiração e parei de lutar.
“É a última vez.”, ele sussurrou
“A última vez.”, eu repeti.
E nos beijamos.
Mesmo depois de alguns meses, ás vezes eu acordo perto da porta, pronta para entregar meu coração aquele maldito mentiroso. Daria tudo para tocar seu rosto mais uma vez na chuva. Nos atirar mais uma vez nas chamas.
Eu atiraria fogo na chuva mais uma vez.

Nenhum comentário:
Postar um comentário